Brutalismo


As obras com ela identificadas caracterizam-se principalmente pela a utilização do concreto armado deixado aparente, ressaltando o desenho impresso pelas fôrmas de madeira natural, técnica que passou a ser empregada com mais freqüência na arquitetura civil naquele momento, tanto como recurso tecnológico como em busca de maior expressividade plástica. Tem como paradigma fundacional as obras do arquiteto franco-suíço Le Corbusier (1887-1965) a partir do projeto da Unité d´Habitation de Marselha (1945-1949) e suas obras seguintes, que ajudaram a conformar uma determinada linguagem arquitetônica que influenciou arquitetos e obras no mundo inteiro.

TENDÊNCIA BRUTALISTA NA ARQUITETURA BRASILEIRA No Brasil a tendência brutalista comparece a partir de início dos anos 1950 em obras no Rio de Janeiro e São Paulo, ganhando certo destaque na obra de uma nova geração de talentosos arquitetos paulistas que despontava naquela década. O início da tendência brutalista no Brasil é concomitantemente, e não posterior, ao concurso e construção de Brasília, embora ganhe mais notoriedade e se consolide nos anos 1960 quando passa a repercutir nacionalmente. Nem naquele momento nem depois a arquitetura brutalista paulista torna-se hegemônica, seja em São Paulo ou no Brasil, tendo sempre convivido simultaneamente com outras tendências e propostas, baseadas em outras orientações. A pesquisa constatou também certo grau de heterogeneidade formal e material no conjunto das obras da arquitetura paulista brutalista, o que pode ser constatado na seleção de obras aqui apresentadas. A tendência brutalista teve grande expansão nos anos 1970 em todo o mundo; no Brasil, além do caso paulista podem ser reconhecidas experiências paralelas em outras regiões, não havendo necessariamente uma relação de influência com a arquitetura paulista, mas sim de dialogo criativo. Nos anos 1980 com mudanças coincidem algumas tecnológicas no setor construtivo e o gradual esgotamento das pautas conceituais do brutalismo, acirradas pelo confronto aberto pelos debates de revisão da modernidade, que ocorrem naquele momento. No fim do século 20 em diante a arquitetura paulista brutalista vem sendo novamente re-valorizada por sua qualidade e valor artístico de vanguarda, e seu lugar no âmbito da arquitetura moderna, brasileira e internacional, vem sendo reconsiderado. Várias de suas obras já podem ser consideradas como parte importante do patrimônio moderno, e nessa condição, vem merecendo vários estudos e pesquisas por parte de vários estudiosos. A arquitetura brutalista paulista pode ser agora melhor entendida a partir de seus próprios valores arquitetônicos, que são universais e atemporais, e que lhe garantem seu status como um importante aspecto da arquitetura moderna brasileira, uma tendência paralela, superposta e apenas parcialmente tributaria da modernidade brasileira da escola carioca, com a qual guarda um razoável grau de autonomia formal, construtiva e discursiva.

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